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Corrupção, desrespeito aos direitos humanos, muito dinheiro gasto e uma pandemia: a existência da Olimpíada ainda se justifica?

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Corrupção, desrespeito aos direitos humanos, muito dinheiro gasto e uma pandemia: a existência da Olimpíada ainda se justifica?

No meio da noite, há quase dois anos, equipes de engenharia se reuniam perto de Senso-ji, o templo budista mais antigo de Tóquio, e um dos seus pontos turísticos mais populares. As ruas estavam vazias, havia mormaço e os trabalhadores torciam para que não chovesse. As máquinas ganhavam vida.

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Era algo pequeno, que mal era percebido. Mas era um sinal dos esforços por vezes fúteis e ridículos para realizar o maior show do esporte. 

Mais de 1.000 japoneses morreram por causas relacionadas ao calor entre julho e agosto de 2018 e 2019, e vários eventos-teste para os Jogos Olímpicos de Tóquio deixavam atletas doentes e o cronograma se apertava. Medidas drásticas para as Olimpíadas que estavam por vir eram necessárias.

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Entre elas, havia este projeto de reasfaltar todo o percurso da maratona de 42 quilômetros com um revestimento brilhante e reflexivo, projetado para mandar o calor embora. Foi uma pequena despesa para um evento que viria a custar bilhões, e as autoridades não tinham certeza se isso funcionaria bem. Mas, centímetro por centímetro, com máquinas enormes, que faziam ruídos sibilantes ao longo das várias noites quentes de agosto, o percurso da maratona foi coberto com uma faixa prateada.

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Dois meses depois, as autoridades mudaram o local da maratona para cerca de 800 quilômetros ao norte, para Sapporo, que tem um clima mais frio. Ficava para trás a grande faixa prateada pelo Centro de Tóquio, um marco das ideias lamentáveis.

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Seis meses depois, a pandemia adiou em um ano os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Muitos japoneses se perguntaram se essa festa do esporte inflacionada ainda valia a pena, se compensava os riscos à saúde pública ou os bilhões gastos em instalações, locais de prova, além de outras concessões ao Comitê Olímpico Internacional (COI)

Tarde demais. Os Jogos Olímpicos de Verão estão prestes a começar em meio a uma pandemia crescente e com a maioria das competições vazias. A cerimônia de abertura na sexta-feira trará a curiosidade e o questionamento que talvez não se recaia apenas aos Jogos de Tóquio, mas a todo o meio olímpico:

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‘Irreformável’ Aqueles que prestarem atenção às Olimpíadas tendem a observar dois pontos de vista. A maioria dos que se ligam no evento de dois em dois anos (entre suas versões de verão e inverno) adora o suspense. Eles talvez saibam, no fundo de suas mentes, que o espetáculo ignora um sistema ultrapassado e corrupto, propenso à compra de votos para escolha das cidades-sede (incluindo Tóquio), apaziguamento de ditadores, e a promessas que não serão cumpridas. Para esses fãs das Olimpíadas, os pontos positivos superam os negativos

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Uma pesquisa divulgada na semana passada revelou que 52% dos americanos acreditam que os Jogos de Tóquio deveriam ser realizados. Enquanto isso, apenas 22% das pessoas no Japão compartilham desse sentimento

“A competição e o amor das pessoas pelas Olimpíadas, e as expectativas que elas têm, é algo positivo”, disse Edwin Moses, duas vezes medalhista de ouro no atletismo, que desde então, tem trabalhado em torno de questões ligadas às Olimpíadas. “Mas, e de um modelo esportivo e tudo que está por trás da cortina? A maioria das pessoas se importa apenas em assistir às Olimpíadas a cada quatro anos e se importa menos em como ela funciona”

PUBLICIDADE Com 12 representantes, Brasil tem vários jovens no skate em Tóquio Aos 13 anos, Rayssa Leal (à esquerda) é a caçula da equipe; Pâmela Rosa (à direita) tem 21 Foto: Agência O Globo Dora Varella (de 19 anos), Isadora Pacheco (16) e Yndiara Asp (23) também representam o time feminino do Brasil Foto: Agência O Globo Luiz Francisco é outro dos mais jovens, com 20 anos Foto: CBSk Pedro Quintas é o caçula entre os homens, com 19 Foto: Reprodução Kelvin Hoefler é um dos mais veteranos, com 27 Foto: Reprodução / Twitter Pular PUBLICIDADE Letícia Bufoni (28) acaba de conquistar o Mundial de Skate Street, em Roma Foto: Dia Esportivo / Agência O Globo Felipe Gustavo (29) representa o Brasil no street Foto: Reprodução Pedro Barros (26) é outro a disputar o park Foto: Reprodução Giovanni Vianna (21) é um dos representantes brasileiros no street Foto: Reprodução  

Aqueles que analisam as Olimpíadas de forma mais ampla veem o movimento oposto. Eles podem apreciar as conquistas atléticas, mas não o suficiente para compensar as preocupações acerca dos danos infligidos pelas Olimpíadas

“As Olimpíadas não podem ser reformadas e acho que, no geral, elas fazem mais mal do que bem”, disse David Goldblatt, autor de “The Games: A Global History of the Olympics”

As Olimpíadas são um alvo fácil de críticas, agora mais do que nunca. Os Jogos ainda importam? Ou eles se perderam e se desviaram de quaisquer ideais que pretendem incorporar?

Os Jogos Olímpicos de 1896, em Atenas, primeiros da era moderna, duraram duas semanas e tiveram um ar eurocêntrico de aristocracia. Eles chegaram na Belle Epoque , uma era dourada de otimismo e colonialismo europeu e norte-americano. Era o apogeu das feiras mundiais, uma época de flexibilização

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Eram 241 atletas, todos homens brancos. (Tóquio terá cerca de 11.000 atletas, quase metade deles mulheres, representando mais de 200 países.) Um evento, curiosamente, inventado em 1896: a maratona, que atraiu pelo menos 80.000 espectadores ao Estádio Panatenaico de Atenas

PUBLICIDADE As Olimpíadas foram um sucesso surpreendente e seu idealismo básico, estrutura e pompa perduram

“A inauguração dos revividos Jogos Olímpicos de hoje foi um deleite para os olhos e um impressionante apelo para a imaginação”, relatou o New York Times em 1896

As Olimpíadas de hoje continuam imensamente populares, se os contratos de transmissão forem indicadores confiáveis. Centenas de países mantêm grandes organizações exclusivamente para as Olimpíadas, e atletas de todo o mundo compartilham a visão do sonho olímpico – um idealismo de conto de fadas, que persiste como a melhor proteção para o cinismo

De certa forma – de muitas maneiras, argumentam os críticos – as Olimpíadas estão presas no tempo, uma construção do século XIX flutuando em um mundo do século XXI

“Eles evoluíram, ou não evoluíram, este sistema completamente separado do resto da sociedade”, disse Han Xiao, um ex-membro da equipe de tênis de mesa dos Estados Unidos, que agora é figura ativa no movimento olímpico. “E é aí que muitos dos problemas entram, seja com corrupção ou desequilíbrios de poder que levam ao abuso de atletas ou violações dos direitos humanos. Se você não está acompanhando os avanços que outras áreas da sociedade estão fazendo, ou não está sujeito à supervisão da sociedade como um todo, é previsível que essas coisas vão acontecer.”

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Em suma, as Olimpíadas são construídas baseadas no excesso, emaranhadas na geopolítica, repletas de corrupção e trapaça. Cada ciclo olímpico levanta questões incômodas sobre sustentabilidade, danos ambientais e direitos humanos

Os Jogos são apresentados como apolíticos, mas isso é impossível e falso. A honra de recebê-los desapareceu; as Olimpíadas se esforçam para atrair as cidades-sede, que muitas vezes ficam desconcertadas depois. A mudança climática está reduzindo o mapa de locais viáveis, especialmente para os Jogos de Inverno

Todo o aparato é comandado por um mago puxador de alavanca, o poderoso presidente do COI – são apenas nove em 125 anos, todos homens brancos, todos da Europa, exceto por um americano. Thomas Bach atualmente supervisiona o comitê de 102 membros. A maioria dos membros alcançou seus cargos por meio de laços políticos e comerciais. Pelo menos 11 são membros da realeza

Em seu regulamento, o COI se deu “autoridade suprema” em todos os assuntos olímpicos. Ele responde apenas ao próprio capricho

“O Comitê Olímpico Internacional é provavelmente a infraestrutura esportiva mais difundida do mundo e, sem dúvida, a menos responsável, e isso diz muito quando há um grupo chamado FIFA no mundo”, disse Jules Boykoff, professor da Pacific University e autor de vários livros sobre as Olimpíadas

PUBLICIDADE Como mero entretenimento, as Olimpíadas prosperam principalmente na nostalgia e na memória coletiva. Seu conceito principal é um nacionalismo alimentado por desfiles, hinos, hasteamento de bandeiras e outros floreios cerimoniais que parecem desligados das tendências globais. Eles embalam harmonia sem profundidade, inclusão sem contexto

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“A diversidade de pensamento, a diversidade de culturas, a diversidade da juventude hoje – eles estão um pouco atrasados”, disse Moses sobre os Jogos

Adaptados nos últimos 50 anos para que possam ser transmitidos na televisão, os Jogos Olímpicos perpetuam competições antigas, mesmo enquanto perseguem desesperadamente o público mais jovem. Os Jogos de Tóquio incluirão as estreias do skate, do surfe e da escalada, com medalhas de ouro conquistadas nessas modalidades nos mesmos dias, respectivamente, com tiro, esgrima e pentatlo moderno

Poucas pessoas são a favor da abolição dos Jogos. As Olimpíadas ainda representam o auge da maioria dos esportes. Para os atletas, as Olimpíadas podem significar tudo – o trabalho de uma vida inteira, o auge das conquistas. Poucos, se houver, recusam convites por motivos morais

PUBLICIDADE Os Jogos de Tóquio proporcionarão as emoções esperadas. Mesmo assim, com os espectadores barrados por causa da pandemia, as Olimpíadas serão pouco mais do que um teatro bidimensional transmitido pelo mundo todo. O controle da televisão sobre as Olimpíadas é evidente há anos, porque 73% do orçamento do COI vem de direitos de transmissão. E organizar os Jogos no calor do verão de Tóquio foi adequado aos horários das emissoras de TV, e não em consideração aos atletas

“Os atletas não são a prioridade”, disse David Wallechinsky, um historiador que escreveu e atualizou “O Livro Completo das Olimpíadas” de 1983 a 2012, observando que os Jogos de Tóquio de 1964 foram realizados em outubro para evitar o calor. “A televisão é a prioridade.”

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A NBC, maior parceira de transmissão dos Jogos, vendeu US $ 1,25 bilhão em publicidade, e as Olimpíadas de Tóquio “podem ser nossas Olimpíadas mais lucrativas da história da empresa”, disse Jeff Shell, presidente-executivo da NBC Universal

Os organizadores de Tóquio simplesmente esperam salvar parte de sua integridade e também das despesas

Dez meses depois, ocorrerão as Olimpíadas de Inverno de 2022 em Pequim, que foram ameaçadas por uma crescente cacofonia sobre os direitos humanos na China e sugestões para que os Jogos sejam boicotados

PUBLICIDADE “A verdadeira diferença é a competição e a ideia do que são as Olimpíadas”, disse Xiao, “em comparação com todas as coisas que acontecem ao seu redor e a maneira como são feitas”

Bolt, Biles – e corrupção de escolha de sedes As entrevistas com aqueles que estão envolvidos com as Olimpíadas – historiadores, acadêmicos, atletas, funcionários – geram pelo menos um consenso: ninguém acha que as Olimpíadas funcionam bem do jeito que estão hoje

As principais queixas se enquadram principalmente em três categorias: corrupção na escolha de anfitriões, falta de responsabilidade do COI e falta de direitos dos atletas

Comprar votos para escolha de uma cidade-sede é um evento olímpico em si. Não terminou com o escândalo antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002, em Salt Lake City. A compra de votos parece ter ocorrido na garantia dos Jogos de 2016 no Rio de Janeiro e dos Jogos de Tóquio em 2020

O COI concedeu os Jogos a anfitriões com tendências autocráticas, como a Rússia (Sochi em 2014) e China (Pequim em 2008 e 2022)

Os russos usaram as Olimpíadas como uma vitrine de US$ 50 bilhões para o presidente Vladimir Putin. O país protagonizou um extenso programa de doping e, assim que as Olimpíadas terminaram, invadiu a Ucrânia. Bandeira e hino russos foram proibidos nos Jogos de Inverno de 2018 e, em Tóquio, os atletas do país poderão competir individualmente (sob a bandeira de Comitê Olímpico Russo) cumprindo certas condições

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O histórico de direitos humanos na China, incluindo a repressão em Hong Kong e o que um relatório do Departamento de Estado chamou de genocídio de Uigures, certamente receberá mais atenção antes de fevereiro. Em 2013, Bach presenteou o presidente Xi Jinping da China com a Ordem Olímpica, a maior honra do mundo olímpico

Bach, um tanto inexplicavelmente e basicamente em uma terra de fantasia, ainda insiste que as Olimpíadas não são políticas”, disse Boykoff. “Onde qualquer observador neutro viria e veria as implicações políticas em todos os lugares.”

Apesar da abordagem “sem maldade”, as escolhas de anfitriões dificilmente são globais. Apenas três Olimpíadas foram realizadas no Hemisfério Sul – duas na Austrália e uma no Brasil. Nenhuma Olimpíada até hoje foi realizada na África

Após um constrangedor processo de escolha para os Jogos Olimpícos de Inverno de 2022 – quatro das seis cidades candidatas desistiram, principalmente por falta de apoio doméstico, deixando uma escolha pouco apetitosa entre Pequim ou Almaty, no Cazaquistão – o COI encerrou a competição cara e frenética pelo direito de hospedar a competição

PUBLICIDADE Em vez disso, nomeou discretamente futuras cidades-sedes, levantando novas questões sobre transparência

As cidades candidatas normalmente prometem locais de competição incríveis, amplos quartos de hotel e torcidas entusiasmadas, tudo o que é exigido pelo COI, e apresentam metas ambientais abrangentes e planos de impacto a longo prazo que nem sempre se concretizam

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No Rio, o plano era limpar a enorme Baía de Guanabara, por onde sai o esgoto bruto de milhões de moradores. O ímpeto do projeto terminou com as Olimpíadas, e as instalações dos Jogos do Rio caíram em desuso e degradação – um destino em comum com outras sedes olímpicas

Alguns sugerem que as Olimpíadas encontrem um lar permanente, talvez um conjunto de cidades que se alternem. Isso poderia acabar com a corrupção de escolhas de cidades-sede, mas levantaria outros problemas, incluindo custos contínuos de manutenção e geopolítica em constante mudança

Do ponto de vista do COI, parte do fascínio das Olimpíadas é a mudança de configuração. Claro, não é o dinheiro do comitê que está em jogo, e o foco está sempre voltado para as próximas Olimpíadas

PUBLICIDADE “Você escolhe sua associação, não é transparente, tem um histórico terrível de corrupção que não solucionou, exclui ativamente críticos e vozes independentes de seus círculos internos, recusa-se a se envolver com seus críticos”, disse Boykoff . “Como vamos reformar alguma coisa com isso?”

As Olimpíadas prosperam em períodos curtos em que há atenção para ela. O clamor por escândalos geralmente termina na hora em que o show começa

“Houve poucas coisas melhores na minha vida do que ver Usain Bolt fazendo das suas, e Simone Biles me faz desmaiar”, disse Goldblatt. “Por outro lado, você deve conhecer algumas das 75.000 pessoas que foram deslocadas à força de suas casas no Rio de Janeiro.”

As forças externas estão crescendo. Cada vez mais, os países democráticos estão céticos em relação às Olimpíadas. Grupos ativistas como Human Rights Watch e NOlympicsLA encontraram vozes e audiências. O aquecimento global pode forçar um ajuste de contas nos próximos anos. Até mesmo os torcedores olímpicos fervorosos estão atentos às preocupações sobre os escândalos de abuso sexual em vários esportes e sobre os resultados nos quais não se pode confiar, dada a persistente obscuridade do doping

PUBLICIDADE Ainda não são contrapesos

“Você precisa de um grupo de pessoas que queiram mudar isso, e sem alguma pressão pública extraordinária, é muito difícil”, disse Xiao. “Porque todo mundo liga a TV nesses 16 dias.”

Esse grupo dissidente pode ser encontrado entre os próprios atletas

Para eles, as Olimpíadas levantam, mais do que nunca, questões que vão desde compensação financeira à liberdade de expressão e direitos de gênero. Eles estão encontrando suas vozes, coletivamente. O movimento Black Lives Matter atingiu uma nova veia de atletas ativistas

Um tópico importante é a Regra 50, a proibição do COI para que atletas se manifestem ou exibam “propaganda política, religiosa ou racial” nas Olimpíadas. No ano passado, o Comitê Olímpico e Paraolímpico dos Estados Unidos anunciou que não puniria mais os atletas que participassem de protestos pacíficos, inclusive nas próprias Olimpíadas. Há ansiedade sobre como o COI aplicará esta regra em Tóquio e depois

“Você pode imaginar em Pequim no próximo inverno se, digamos, um atleta americano protestar publicamente no pódio contra as violações dos direitos humanos na China?”, disse Noah Hoffman, esquiador de cross-country, participante duas vezes da Olimpíadas, e que ajudou a iniciar o Global Athlete, que visa a ampliar a visão dos atletas sobre questões críticas. “Não é só o COI não proteger esses atletas, eles vão fazer parte do sistema que está punindo o atleta.”

PUBLICIDADE Os atletas estão cada vez mais cientes dos defeitos do sistema olímpico. Allyson Felix, a estrela do atletismo americano, que fará sua quinta aparição olímpica, fez parte de um esforço para conseguir os Jogos de Verão de 2028, que serão sediados em Los Angeles

“Ver mais sobre como o Comitê Olímpico Internacional funciona, não é como eu achei que era”, disse Felix ao The Times recentemente. “Minha perspectiva era que os Jogos eram muito voltados para a competição. Estando envolvido no processo de licitação (escolha da sede), você vê que a competição e os atletas são uma parte mínima. Os atletas não têm lugar na mesa quando as decisões estão sendo tomadas.”

Mas será que essa consciência crescente ultimamente ajudará a preservar os Jogos?

“Estamos diante de um par de décadas muito, muito difícil e turbulento em termos de mudança global e o que este planeta significa”, disse Goldblatt. “E eu só me pergunto: como serão as Olimpíadas diante disso? Já me parece um absurdo. E eu me pergunto o que uma geração, 30 anos mais jovem do que eu, estará pensando enquanto o mundo está em chamas.”

Por enquanto, porém, o absurdo reside diretamente em Tóquio. Pode ser encontrada na faixa prateada sinuosa e inexplicável que serpenteia pela cidade, sob os pés e sob os pneus – uma ideia com boas intenções, agora esmaecendo com o tempo

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